{"id":159,"date":"2019-02-18T17:01:50","date_gmt":"2019-02-18T20:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ethosclinical.com.br\/?p=159"},"modified":"2019-02-18T17:07:16","modified_gmt":"2019-02-18T20:07:16","slug":"159-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/ethosclinical.com.br\/en\/159-2\/","title":{"rendered":"P&#038;D est\u00e1 mais dif\u00edcil ou as empresas est\u00e3o cada vez piores nessa \u00e1rea?"},"content":{"rendered":"\n<h1><br><\/h1>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/hbrbr.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Webp.net-resizeimage-1-6.jpg?w=1170&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sabemos\nque a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o motor do crescimento corporativo. Como Strategy&amp; demonstrou\nem sua pesquisa de 2015 com 1.757 executivos, \u201choje a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos\nprincipais fatores de crescimento org\u00e2nico para todas as empresas \u2014 independentemente\nde setor ou geografia\u201d. De acordo com essa pesquisa, as 1000 empresas que mais\ngastaram em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) investiram US$ 680 bilh\u00f5es\nnaquele ano, 5% a mais que no ano anterior. Historicamente, a P&amp;D tem sido\nvista tamb\u00e9m como o motor do crescimento econ\u00f4mico nacional.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/hbrbr.uol.com.br\/novas-ideias-pesquisa-em-desenvolvimento\/\">Novas ideias, pesquisa em\ndesenvolvimento<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/hbrbr.uol.com.br\/empresas-estao-usando-ma-para-se-reinventarem\/\">Por que as empresas est\u00e3o\nusando M&amp;A para se reinventarem?<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da import\u00e2ncia que a inova\u00e7\u00e3o\nrepresenta para as empresas e tamb\u00e9m para a economia de forma mais ampla,\napesar do aumento de 250% no n\u00famero de cientistas e engenheiros envolvidos em\nP&amp;D e apesar de todos os especialistas dedicados a fazer com que empresas\ninovem, o dinheiro que as empresas investem em P&amp;D est\u00e1 gerando cada vez\nmenos resultados. Na verdade, minha pesquisa demonstra que o retorno do\ninvestimento em P&amp;D caiu 65% nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que essa queda no\nquociente de pesquisa, ou QP, das empresas (uma unidade de medida que\ndesenvolvi para medir a produtividade da P&amp;D, ou seja, o rendimento obtido\ncom seus investimentos em inova\u00e7\u00e3o) mimetiza a queda do crescimento do PIB dos\nEstados Unidos nos \u00faltimos 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/hbrbr.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/uyyuuyuyuy.png?w=1170&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/uyyuuyuyuy.png\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Compara\u00e7\u00e3o entre a\nProdutividade da P&amp;D e o crescimento do PIB dos Estados Unidos ao longo do\ntempo<br>\n\u25cf Produtividade\nda P&amp;D como QP bruto<br>\n\u25cf Crescimento\nnominal do PIB dos Estados Unidos<br>\n\u25cf Fonte: ANNE\nMARIE KNOTT, BASEADA EM DADOS DA COMPUSTAT E DO BUREAU OF ECONOMIC ANALYSIS<\/p>\n\n\n\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que a P&amp;D\ntenha se tornado mais \u00e1rdua. Essa teoria foi apresentada pelo economista de\nStanford Chad Jones. Jones prop\u00f5e que h\u00e1 dois mecanismos por tr\u00e1s disso:\nprimeiro, um efeito conhecido como \u201cfishing out\u201d (pesca) ou \u201ccherry picking\u201d\n(colheita de cerejas) \u2014 a no\u00e7\u00e3o de que as ideias mais \u00f3bvias s\u00e3o descobertas\nprimeiro e, \u00e0 medida que o tempo passa, a qualidade das remanescentes decai. Se\npensarmos em inova\u00e7\u00f5es recentes, como computadores pessoais, a internet e\nsmartphones, provavelmente ficaremos c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o a essa ideia, mas a\nexaminaremos de maneira mais espec\u00edfica em instantes. O segundo mecanismo \u00e9 o\nda diminui\u00e7\u00e3o de resultados do trabalho de pesquisa \u2014 a suposi\u00e7\u00e3o de que\nacrescentar mais pesquisadores diminui a quantidade de inova\u00e7\u00f5es por\nfuncion\u00e1rio porque aumentam as chances de duplicarem os esfor\u00e7os uns dos\noutros. Essas duas ideias parecem plaus\u00edveis. Na verdade, o professor da\nNorthwestern University, Robert Gordon, em The Rise and Fall of American Growth\n(Ascens\u00e3o e Queda do Crescimento Norte-Americano), sustenta argumentos\nsemelhantes. Se Jones e Gordon estiverem certos, a consequ\u00eancia nefasta ser\u00e1 o\ndecl\u00ednio do crescimento at\u00e9 zero (exceto para crescimento populacional).<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho uma explica\u00e7\u00e3o mais otimista:\nas empresas est\u00e3o piores em P&amp;D. Embora as empresas estarem piores em\nP&amp;D possa n\u00e3o soar mais otimista que P&amp;D estar se tornando mais\ndif\u00edcil, se for verdade, e se as empresas conseguirem restaurar seu QP\nanterior, segundo a teoria, a economia deveria desfrutar de crescimento\nperp\u00e9tuo enquanto o investimento em P&amp;D continuasse.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 se Jones e Gordon\nest\u00e3o certos e a P&amp;D tornou-se mais dif\u00edcil ou se eu estou certa e as\nempresas ficaram piores nessa \u00e1rea. Embora a queda de 65% no QP sugira que eu\ntenho raz\u00e3o e as empresas pioraram em P&amp;D, se a P&amp;D estiver mais\ndif\u00edcil tamb\u00e9m parecer\u00e1 que as empresas pioraram.<\/p>\n\n\n\n<p>Como poder\u00edamos testar essas hip\u00f3teses?\nUma possibilidade \u00e9 que, se a P&amp;D realmente est\u00e1 mais dif\u00edcil, dever\u00e1 estar\nmais dif\u00edcil para todos. Em outras palavras, haver\u00e1 decl\u00ednio n\u00e3o s\u00f3 na m\u00e9dia do\nQP a cada ano, mas tamb\u00e9m em seu valor m\u00e1ximo. Portanto, se compar\u00e1ssemos a\nmelhor empresa a cada ano (aquela que tivesse o QP mais alto) \u00e0 melhor empresa\nno ano seguinte, as empresas dos anos posteriores deveriam ter QPs mais baixos\nque as dos anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o foi isso que encontrei ao\nexaminar 40 anos de dados financeiros de todas as empresas de capital aberto\ndos Estados Unidos. Descobri que o QP m\u00e1ximo estava na verdade aumentando ao\nlongo do tempo! Quando voc\u00ea pensa em todas as empresas fascinantes que foram\ncriadas como parte da economia digital isso parece plaus\u00edvel, mas ainda h\u00e1\nmotivo para ficar c\u00e9tico quando se nada contra a corrente. Em seguida, chequei\nse o mesmo padr\u00e3o se repetia caso, em vez de observar todas as empresas de\ncapital aberto, eu restringisse minha aten\u00e7\u00e3o a um setor espec\u00edfico, como\nind\u00fastria ou servi\u00e7os. Descobri que o QP m\u00e1ximo aumentava tamb\u00e9m dentro dos\nsetores. Ent\u00e3o busquei observar defini\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas de ind\u00fastria, como\nInstrumentos de Medi\u00e7\u00e3o (sistema padr\u00e3o de classifica\u00e7\u00e3o industrial 38) e, em\nseguida, defini\u00e7\u00f5es cada vez mais espec\u00edficas, como a de Instrumentos Cir\u00fargicos,\nM\u00e9dicos e Odontol\u00f3gicos (SIC 384) e, ent\u00e3o, Equipamento Odontol\u00f3gico (SIC\n3843). O que descobri foi que, quanto mais eu restringia a busca, mais o\nQuociente de Pesquisa m\u00e1ximo diminu\u00eda ao longo do tempo (vide gr\u00e1fico abaixo).\nPortanto, a teoria de Jones procede em n\u00edvel da ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/hbrbr.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/aesfraesfra.png?w=1170&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/aesfraesfra.png\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Quanto mais espec\u00edfica a medi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, mais\nsombrio o panorama do QP<br>\n\u25cf VARIA\u00c7\u00c3O ANUAL DE PQ M\u00c1XIMO<br>\n\u25cf todas as\nempresas<br>\n\u25cf todas as ind\u00fastrias<br>\n\u25cf ind\u00fastrias com\ndefini\u00e7\u00f5es espec\u00edficas<br>\n\u25cf ind\u00fastrias com\ndefini\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas<br>\n\u25cf ind\u00fastrias com\ndefini\u00e7\u00f5es ainda mais espec\u00edficas<br>\n\u25cf Fonte: ANNE\nMARIE KNOTT, BASEADA EM DADOS DA COMPUSTAT<\/p>\n\n\n\n<p>As implica\u00e7\u00f5es desse padr\u00e3o s\u00e3o\nparticularmente empolgantes. O que ele sugere \u00e9 que, enquanto as oportunidades\ndentro das ind\u00fastrias diminuem com o tempo \u2013 o que de fato acontece \u2013 , as\nempresas reagem criando novos setores com mais oportunidades tecnol\u00f3gicas.\nAssim que percebi esse padr\u00e3o, foi f\u00e1cil pensar em exemplos. De fato, muitos\ndestes s\u00e3o mencionados no debate atual sobre disrup\u00e7\u00e3o. Alguns exemplos s\u00e3o a\nmorte da m\u00e1quina de escrever e dos telefones fixos e sua substitui\u00e7\u00e3o\nrespectiva por computadores pessoais e celulares. Embora haja muitos outros\nexemplos, o que \u00e9 verdadeiro nos dois casos que me ocorreram \u00e9 que o mercado\npara a nova tecnologia \u00e9 de fato muito mais amplo do que aquele para a\ntecnologia que substituiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Para exemplificar, temos que os\ncomputadores pessoais desfrutam de uma base instalada nos Estados Unidos de 310\nmilh\u00f5es de m\u00e1quinas, enquanto a base instalada de m\u00e1quinas de escrever\nel\u00e9tricas era de apenas 10 milh\u00f5es de m\u00e1quinas em seu auge em 1978. Embora n\u00e3o\npossamos prever se esse padr\u00e3o de crescimento de QP m\u00e1ximo se manter\u00e1 para\nsempre, ele persistiu pelos \u00faltimos 40 anos para os quais se disp\u00f5e de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia, ent\u00e3o, \u00e9 que embora os\nsetores industriais possam estar condenados, as empresas n\u00e3o necessariamente\nestar\u00e3o. Elas podem migrar para setores em que h\u00e1 mais oportunidades e deixar\naqueles com oportunidades que diminuem. Essa not\u00edcia tamb\u00e9m fornece uma li\u00e7\u00e3o\nimportante no que diz respeito ao aumento no QP: as empresas deveriam se\ndiversificar para evitar diminui\u00e7\u00e3o de oportunidades em seu pr\u00f3prio setor. Esse\npadr\u00e3o geral tem pelo menos um s\u00e9culo de idade e, de fato, \u00e9 a g\u00eanese da\nP&amp;D industrial. Essa g\u00eanese \u00e9 capturada em v\u00edvidos hist\u00f3ricos da DuPont,\nGeneral Motors e Standard Oil no influente livro do historiador Alfred\nChandler, Strategy and Structure (Estrat\u00e9gia e Estrutura).<\/p>\n\n\n\n<p>Para resumir, parece que a diminui\u00e7\u00e3o da\ncapacidade de impulsionar crescimento a partir de P&amp;D por parte das\nempresas (e da economia) se origina no fato de aquelas terem piorado em\ninova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o no fato de a inova\u00e7\u00e3o estar mais dif\u00edcil. E essa \u00e9 uma \u00f3tima\nnot\u00edcia porque o problema de as empresas estarem cada vez piores \u00e9 pass\u00edvel de\nconserto, enquanto o problema de a inova\u00e7\u00e3o se tornar mais dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9. O\ndesafio, obviamente, \u00e9 saber o que consertar e como faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Anne Marie Knott \u00e9 professora de\nestrat\u00e9gia na Olin Business School da Washington University em St. Louis e\nautora do livro How Innovation Really Works (Como funciona a inova\u00e7\u00e3o de fato).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabemos que a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o motor do crescimento corporativo. Como Strategy&amp; demonstrou em sua pesquisa de 2015 com 1.757 executivos, \u201choje a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais fatores de crescimento org\u00e2nico para todas as empresas \u2014 independentemente de setor ou geografia\u201d. 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